INTELIGÊNCIA & VONTADE

(1) Inteligência volitiva, já ouviu falar? Não é um tema recente, mas implicante. Falamos muito sobre inteligência, em melhorar nossa cognição, falamos em inteligência emocional, na racional, e a volitiva?

(2) Tal denominação “volitiva” está associada a nossa capacidade do querer, a nossa vontade, paixão, automotivação. Badalamos muito a palavra “inteligência”, mas tente responder: o que seria dela sem a vontade?

(3) Você conhece alguma pessoa, pode até ser um parente seu, todos percebem se tratar de uma pessoa inteligente, mas essa pessoa não se mexe! Não termina o que começa ou o que precisa, não sabe se comprometer com seriedade diante de desafios, metas, propósitos; vive no mesmo refrão, embora seja inteligente!

(4) O professor Marins, antropólogo, conhecido na mídia na área de consultoria, afirma: “inteligência é o farol que ilumina o nosso caminho, mas é a vontade que nos faz caminhar”. Ou seja, adianta você ser inteligente se você não tem vontade de se mexer?

(5) A realidade cultural, a ocidental em evidência, carece da força da disciplina, que é uma conquista fácil quando fazemos o que gostamos. É ingenuidade achar que precisamos estar subordinados a comandos, como nas forças armadas, para ganharmos disciplina. Quando temos sentimentos (paixão, amor, carinho) envolvidos em nossas atividades, nós conseguimos nos disciplinar sem tanta resistência, nos dedicamos, pois desejamos, gostamos mais, criamos sinergia, queremos com disposição autêntica, que vem do íntimo, que podemos chamar de automotivação.

(6) Adianta você ter uma habilidade, facilidade em realizar certas coisas de valor positivo para a sociedade, e ao mesmo tempo manter-se uma pessoa que, na sua liberdade, escolhe viver reclamando, fechada em uma realidade paralela, sem vontade de agregar valor em sua realidade? Provavelmente você já conheceu ou conhece alguém inteligente, mas sem vontade. A falta de inteligência volitiva limita o desenvolvimento pessoal, profissional e social.

(7) Quando notamos pessoas, grupos, até a maioria de uma sociedade que segue acomodada, sem foco em metas melhores na própria qualidade de vida, foco serem mais felizes, cuidados essenciais para com a saúde integral, seguindo sem qualquer planejamento, movendo-se de acordo com a maré, como se não houvesse um leme, são os sinais mais evidentes que “patinam”, que não evoluem, num sentido honesto a sua vida, ou realidade.

(8) A falta de disciplina pode advir da falta de vontade (do querer), da ausência de automotivação, do medo de reconhecer o próprio compromisso intransferível por mudanças positivas. Sem disciplina torna-se complicado, difícil, sair da zona de conforto, exemplos: torna-se exaustivo conseguir terminar uma faculdade; observa-se a frequência em começar não levar adiante o que começa (regime para emagrecer, por exemplo); fica tudo mais complicado diante da necessidade de se habituar a rotinas mais desafiantes e menos confortáveis; reluta-se até inconscientemente a uma mudança, necessária, de paradigma etc.

(9) Vivemos uma cultura predominante de pessoas disputando mais do que cooperando uma com as outras. Significa que somos mais desconfiados um com o outro. As pessoas são menos estimuladas a estarem se solidarizando, se importando, ajudando despretensiosamente; isso cria ilhas individuais, refletindo em pessoas com baixa empatia e ao mesmo tempo carentes de apoio autêntico. Recomendo que cuide de sua inteligência sem descuidar da liberdade responsável do que faz com as tuas vontades. Se não sabe o que quer, olhe para dentro. Não poupe seus ímpetos por desafios positivos, não evite melhorar a si mesmo, bem como a realidade que pede a sua melhor participação.

Alexandre Arrenius

Psicoterapeuta - Escritor - Consultor. Atendimento Litoral Norte Paulista Caraguatatuba - SP (Whats: 12-9.8126-9555 Livros Publicados: "Quando a Espiritualidade Reencontra a Realidade" e "CONSCIÊNCIA, SEU PRÓXIMO DESAFIO".

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