Pessoas criativas têm mais probabilidade de desenvolver problemas mentais

Recentemente, nas redes sociais, a relação entre saúde mental e inteligência voltou a ser alvos de debate. A bola da vez foi um tuíte viral afirmando que Van Gogh comia tinta amarela para ficar feliz. O post dizia que a tal tinta era tóxica – o que teria envenenado o pintor.

No fim, a história era mentira – ou seja, não, Van Gogh não comia tinta amarela. Mas parece que há, sim, uma relação científica entre criatividade e transtornos psicológicos.

E é exatamente isso que fala um novo estudo feito por cientistas suecos, publicado no British Journal of Psychiatry. O estudo é gigantesco: enquanto outras pesquisas nessa linha utilizava pequenos grupos, este analisou os registos de saúde de toda a Suécia — ou seja, cerca de 4,5 milhões de pessoas.

Para chegar à conclusão, os pesquisadores separaram as pessoas que estudavam artes na universidade — teatro, música, artes plásticas — do restante da população. Depois, analisaram os casos de internação por problemas mentais no país e os relacionaram com os perfis dos indivíduos — levando em conta a separação feita anteriormente. Os resultados foram claros: aqueles com graus artísticos eram 90% mais propensos a serem hospitalizados por esquizofrenia do que a parcela menos criativa do povo.

Outros distúrbios também apareceram: os artistas possuem 62% mais chances de serem internados por transtorno bipolar e são 39% mais propensos a buscar o hospital por causa de depressão. Os pesquisadores também asseguraram que o fato de ir para a faculdade não estava diretamente relacionado com os casos, já que muitos outros universitários não apresentavam essas taxas de internação. A questão crucial era a veia artística.

E isso não é algo novo. Van Gogh é apenas um exemplo, mas diferentes gênios como Beethoven, Darwin e Sylvia Plath também sofreram com problemas relacionados à saúde mental. Em 2010, um estudo que analisava imagens cerebrais mostrou que os caminhos do pensamento esquizofrênico são muito semelhantes aos de pessoas criativas.

Mas tudo isso ainda não está claro. O autor dessa nova pesquisa, James McCabe, disse à New Scientist :”A criatividade muitas vezes envolve a associação de ideias ou conceitos de maneiras que outras pessoas não pensariam. Mas essa também é a maneira como os delírios funcionam — como, por exemplo, imaginar que a cor das roupas de alguém possa indicar que essa pessoa trabalhe no serviço secreto”.

 

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Apesar das descobertas, o estudo não é conclusivo, já que escolheu um critério bem simples para selecionar pessoas criativas (fazer faculdade de artes) — e há gente inovadora em todas as áreas. Os novos dados podem guiar muitas novas pesquisas importantes, mas você, criativo, ainda não precisa se desesperar.

 

Geferson

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