Trinta anos após sua morte, Raul Seixas continua vivo nas letras e na fidelidade dos fãs

O roqueiro baiano morreu aos 44 anos, por uma pancreatite agravada pelo consumo de álcool e drogas. Mas sua trajetória breve deixou marcas profundas na música brasileira.

 

Maluco beleza, metamorfose ambulante, pai do rock brasileiro ou, simplesmente, Raul. Há 30 anos, o Brasil perdia um baiano fã de Elvis Presley, que misturava rock and roll e baião com naturalidade.

Raul Seixas teve uma vida breve e abusada, que sacudiu a MPB. Foram vários discos gravados em vida e uma parceria eletrizante com o escritor Paulo Coelho. Juntos, eles lançaram grandes sucessos como “Tenta outra vez” e “Gita”. Foi com Paulo Coelho que o careta Raulzito experimentou diferentes tipos de drogas e conheceu o esoterismo. Em entrevista à CBN, Paulo Coelho lembrou da relação conturbada com o roqueiro.

“Eu sei que às vezes as pessoas me culpam muito. Elas dizem ‘você que apresentou o Raul às drogas’, o que é verdade. Mas o Raul era adulto e vacinado. Ele não era um cara fraco. E, justamente, muitas das nossas dificuldades eram porque ele tinha personalidade forte e eu também. Mas isso fez com que a gente tivesse um trabalho que é lembrado 30 anos depois”, recorda.

 

Raul morreu aos 44 anos, por uma pancreatite agravada pela combinação de drogas, álcool e uma diabete. O último LP, A Panela do Diabo, foi lançado dias antes de sua morte e atingiu a marca de 150 mil cópias vendidas. Mas, para muitos, ele terminou a vida no ostracismo. O músico Roberto Menescal, que trabalhou em cinco álbuns do artista, vê de outra forma:

“Muita gente ainda queria fazer show, projeto com ele. Mas ele não ia, ou ia bêbado. O ostracismo não é que as pessoas deixaram de gostar dele, ele é que parou. Ele estava no auge, mas se escondia”, avalia.

Se, em vida, Raul Seixas colecionava uma legião de fãs, a morte transformou o “maluco beleza” numa espécie de Deus. Um dos covers mais antigos de Raul, o também baiano Pena Seixas de 55 anos, tem planos de fundar uma igreja para louvar o astro. Entre as homenagens já prestadas ao ídolo está o nome de um filho, hoje com 18 anos. Promessa que diz ter feito ao próprio Raul em vida.

“A mulher me largou porque queria que o nome do menino fosse Joaquim Francisco. Ela não deixava eu ver o menino, não deixava eu entrar. Eu peguei o menino, botei no carro e fui direto pro cartório. Aí eu falei que se chamaria “Raul Seixas”. Ela rasgou a certidão, quis quebrar tudo no cartório e entrou na Justiça. Aí perguntaram se ele queria mudar de nome, mas ele disse que não, e que adora o nome dele”, conta.

 

As dezenas de álbuns de tributo, musicais e livros também contribuíram para que a figura de Raul continue inspirando quem nem teve tempo de vê-lo em ação. Várias das músicas foram regravadas por artistas mais jovens e, todo dia 21 de agosto, fãs de diferentes idades se encontram no Centro de São Paulo, para uma passeata em homenagem a Raul.

 

Paula Martini

 

 

Redacao

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